Patagônia 2009: Depoimento final do Geraldo !!

Índice de posts da Viagem à Patagônia 2009

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PHD Cabanas e Solange

Iniciada a nossa viagem rumamos para a cidade de União da Vitória, no Paraná. A partida se deu à luz de um sol maravilhoso, mas que não durou muito. Logo começou a chover. À medida que a paisagem ia mudando, com as edificações típicas do Paraná e a região serrana, era possível antever o que nos aguardava. No dia seguinte saímos debaixo de chuva em direção a Santo Tomé, na Argentina. Passamos por Rosário, Villa Mercedes e Mendoza.

Ao nos aproximarmos de Mendoza já era possível avistar os cumes das montanhas cobertos de gelo, o que no ano passado somente avistamos quando nos encontrávamos na pré-cordilheira. Isso anunciava que o frio seria maior, em contrapartida o cenário seria mais deslumbrante, devido a grande quantidade de gelo que cobriam as montanhas.

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Lago Portillo

Durante o trajeto para atravessar a cordilheira do Andes visitamos a Puente del Inca. Em Portillo, no meio da cordilheira, almoçamos no hotel com vistas ao lago ainda congelado, mas de rara beleza que vale a pena ser conferido por quem por ali passar. Já no lado Chileno pernoitamos em Rancagua, para no dia seguinte irmos para Villarica e Pucón, onde visitaríamos o Vulcão Villa Rica.

Quando dirigíamos ao Vulcão fomos agraciados por uma nevasca relativamente forte, o que impediu que a Van que nos levava chegasse ao nosso destino, pois, nem mesmo com correntes na roda foi possível ultrapassar o obstáculo criado pela nevasca. Diante disso, o clima ficou relativamente frio, alguma coisa em torno de 1 a 2 graus, acrescida pela umidade ocasionada pela chuva intensa que insistia em nos acompanhar.

Já em Puerto Varas, onde fixamos no nosso QG, visitamos a cidade de Puerto Mont, Petrohue, e o Vulcão Osorno, que estava totalmente coberto de neve. Esses locais são de beleza ímpar. Voltando para a Argentina, dessa vez atravessamos a cordilheira dos Andes na parte sul, com destino a Bariloche. Devido à nevasca que haviam caído dias antes as laterais da estrada estavam com significativo volume de neve, deixando a paisagem fascinante.

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Vulcão Osorno

Em Bariloche encontramos mais chuva e frio, o que antecipou a nossa partida rumo a Esquel, não sem antes visitar os pontos turísticos mais importantes, como a estação de esqui no Cerro Catedral.

O vento era muito forte, o que fez com que o bondinho que leva os turistas para o alto da montanha subisse cautelosamente em alguns pontos, sendo logo em seguida suspensa a travessia devido o mal tempo.

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Picos nevados dos Andes

Iniciamos o caminho para Esquel sob intensa chuva, o que não permitia acelerar muito. A pista estava escorregadia, o que era agravado por forte ventania. Mal sabíamos que essa ventania nada significava diante daquela que nos aguardava nas gélidas montanhas de Esquel. Para a nossa sorte na medida em que a altitude aumentava, a vegetação típica ia dando o seu contorno, a chuva para o nosso alívio cessou. Mas logo em seguida, a pista que corta as montanhas é tão alta que fica relativamente próximo do cume da cordilheira, dando a impressão de estar na crista da cordilheira. Isso permitia sentir o frio do gelo que parecia estar logo acima das nossas cabeças. Ao longe podia ser avistada a ventania no cume das montanhas geladas, porque a sua força descomunal deslocava a neve quase que na horizontal arrastando em direção à pista que em alguns trechos estava molhada. Enfim, fomos atingidos pela ventania que quase arrancou as motos da estrada.

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Neve na estrada

As três Harleys, modelo Electra, pareciam feitas de papel diante da força do vento que parecia querer impedir a nossa passagem por ali. Nem mesmo com o peso das malas e dos seus ocupantes que somavam alguma coisa entre 500 quilos parecia ser significativo para o vento que nos acompanhou por muitos quilômetros. As motocicletas seguiam inclinadas e forçando a sua direção contra o vento, somente assim conseguimos nos manter na pista. A essa altura a chuva e o vento eram apenas um detalhe que enriquecia os cenários que estávamos atravessando. A chuva permitiu o colorido especial, pastos e vegetação mais exuberantes, a nevasca, e o frio da Patagônia.

Em Puerto Madryn foi possível visitar a Península de Valdez onde ficamos lado a lado com baleias, leões marinhos, pingüins e focas. Experiência muito interessante!!  Para quem viajar por essas cercanias, uma dica é não deixar de experimentar a cerveja Patagônia, de excelente qualidade.

Rumávamos para Bahia Blanca quando o pneu da minha moto furou, como demorei um pouco a perceber o pneu acabou cortado e não permitiu reparo. Isso me obrigou a abreviar a minha chegada a Buenos Aires. A minha entrada em Buenos Aires foi triunfal, na boléia do caminhão guincho. Na carroçaria a minha moto ostentava a sua beleza e era admirada pelas pessoas nas extensas avenidas de Buenos Aires, que se tornaram mais longa em razão do motorista não conhecer a cidade me obrigando a ligar o GPS para orientá-lo. Substituído o pneu fiquei aguardando a chegada dos demais para prosseguirmos com o nosso cronograma.

Atravessamos para o Uruguai pelo Buquebus, onde foi feita a festa no free shoping. A Glaucia e Folegatti compraram tanto alfajor na Argentina que ficamos com receio de ficarmos retidos na alfândega. A viagem seguiu tranqüila. O que muito incomodou foi as péssimas condições das estradas brasileiras. Dá a impressão que a engenharia nacional não sabe construir estradas de qualidade. Parece que usam pantógrafo (igual aquele equipamento utilizado para fazer cópia de chaves), mantendo todas as imperfeições do solo original. A capa de asfalto mais lembra o dorso de um cordeiro, tamanho a sua imperfeição. As cabeceiras das pontes mais lembram uma rampa de lançamento de foguete. Situação que não ocorre na Argentina, Chile e Uruguai que possuem pistas com excelente qualidade de asfalto.

No retorno para casa, na medida em que nos aproximávamos a saudade aumentava, o tempo parecia correr mais devagar. Era possível sentir uma prazerosa sensação de bem estar proporcionada pelo fato de novamente poder estar com os seus. Pois, afinal de contas a viagem foi de 26 dias, período em que os contatos foram pelos meios de comunicação, que nem de longe supre o contato presencial. O afã de retomar o contato com a nossa rotina nos deixavam mais apreensivos.

Dessa viagem foi possível extrair muitos aprendizados, assim como nas outras anteriormente feitas. Mas, cada viagem tem a sua particularidade. Os integrantes da expedição à Patagônia, sem exceção, deram uma prova exemplar de participação e de solidariedade. Nenhum contratempo entre os integrantes do grupo. Portanto, ficam os meus agradecimentos a todos os meus amigos, que a essa altura já os chamo de irmãos. Fica o meu agradecimento aos meus irmãos Betão, Folegatti e Zoom, assim como às suas esposas Marli, Glaucia e Luciana. Agradecimento especial ao Betão e Folegatti que no momento crítico da viagem, quando o meu pneu furou, não arredaram pé do lugar. Inicialmente na tentativa de reparar o pneu. Sendo isso impossível, enquanto Folegatti buscava auxílio de um guincho Betão permaneceu firme na tentativa de encontrar alguma solução, sem êxito porque o pneu estava cortado. Com isso, a solidariedade com que se portaram reclama a sua exaltação. Grandes Amigos e Irmãos. Fica o meu agradecimento ao PHD José Maria que acompanhou a trajetória do grupo relatando as informações recebidas em seu site “vivermaisavida.com.br”.

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Texto: PHD Cabanas (Geraldo)
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