Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas

O livro “Zen e a arte da manutenção de motocicletas: uma investigação sobre valores” é o primeiro livro de Robert M. Pirsig, no qual ele explora suas idéias filosóficas sobre Qualidade e suas investigações sobre Valores. O livro escrito em 1974, descreve em primeira pessoa, uma viagem de 17 dias de motocicleta pelo interior dos Estados Unidos feita pelo autor (que não é identificado no livro) e seu filho Chris. Na viagem eles cruzam campos, sobem montanhas, passam frio, tem panes na moto e interagem com pessoas. Nos primeiros nove dias eles tem a companhia do casal de amigos Sylvia e John Sutherland . A viagem é pontuada por inúmeras discussões filosóficas, referidas como “Chautauquas” pelo autor, e portanto o livro é de difícil leitura para pessoas não interessadas em temas filosóficos.

Após a sua publicação este livro se tornou um best-seller, mas segundo o Guinness Book, ele tem o recorde de ter tido os originais mais rejeitados até hoje pelas editoras (ao todo 121 editoras), mais do que qualquer outro livro best-seller. O livro vendeu mais de 4 milhões de cópias em vinte e sete idiomas e foi descrito pela imprensa como “o livro de filosofia mais lido até hoje no mundo”.

Em uma parte do livro Pirsig aborda o egocentrismo, dizendo que ele não se distingue inteiramente da rigidez de valores, sendo uma de suas muitas causas. Coloca que o egocentrismo acentuado enfraquece a capacidade da pessoa reconhecer fatos novos, isolando a pessoa da realidade. Mesmo que os fatos mostrem que ela está errada, provavelmente o egocêntrico não vai admitir o erro. Quando dados falsos fizerem ela se sentir bem, ela passa a acreditar nestes dados e portanto, para ela não são dados falsos. Como esta, toda análise filosófica feita pelo narrador é acompanhada nos parágrafos seguintes com exemplos de aplicação na área de mecânica, uma vez que o narrador é um exímio mecânico de motocicletas.

O texto tem um certo grau de suspense, graças à misteriosa alusão à uma esquizofrenia que atormenta o narrador durante todo o livro, levando a uma luta entre um eu ideal e um eu pragmático. O final é particularmente interessante quando assume um lado que estava em segundo plano.

Embora existam inúmeras passagens com texto leve nas belas descrições da viagem de motocicleta e os sentimentos de liberdade que o contato com o vento e  a paisagem trazem ao autor e ao seu filho, ressalto novamente o forte contexto filosófico do livro e portanto quem não seja  minimamente ligado ao tema “filosofia”, difícilmente irá chegar ao final do livro!!

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Texto: José Maria

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