Estrada Real: Diamantina até Serro

Estrada-Real-LogoReservamos o dia para fazer um trecho de cerca de 65 km da Estrada Real, partindo de Diamantina até a cidade histórica de Serro, passando por algumas pequenas vilas como Milho Verde.

Nosso plano era retornar no final da tarde para Diamantina para participar da Vesperata no dia seguinte.

Estrada Real perto de Diamantina

Saímos de Diamantina pela manhã e pegamos a Estrada Real que é de terra até Milho Verde. Paramos para tirar algumas fotos, incluindo os famosos marcos da Estrada Real.

Milho Verde

Marco da Estrda RealApós passarmos por belos trechos da Estrada Real, subindo e descendo montanhas da Serra do Espinhaço,  passamos pelos povoados de Vau e São Gonçalo do Rio das Pedras antes de chegar em Milho Verde.

Em Milho Verde fomos primeiro visitar a  pequena, mas famosa, capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos que foi utilizada em clipe de divulgação de disco do cantor Milton Nascimento.

A partir da Capela e de seu belo pátio gramado no alto de uma pequena colina,  tem-se  uma bela vista das montanhas nos arredores. A Capela foi construída no século XIX por escravos, sendo atualmente o cartão postal de Milho Verde.

capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

Milho Verde está a 1.120 metros de altitude e fica a 23 km da cidade histórica de Serro, da qual é distrito. A população é de cerca de 500 moradores no povoado e 1200 na área rural. As casas são simples com  algumas ruas cobertas com grama verde que dá um charme especial ao povoado. Infelizmente existem algumas casas históricas que foram modificadas ou ruíram por falta de conservação.  O povoado de Milho Verde também é famoso  por suas belezas naturais sendo cercado por belas cachoeiras e morros da serra do Espinhaço.

Chafariz de Milho Verde

O nome Milho Verde vem do fato das lavras da região terem pertencido ao português Manoel Rodrigues Milho Verde, natural de Moinho em Portugal. O lugarejo foi um antigo ponto de controle de impostos, sendo a rua do Quartel assim chamada por ter um quartel e posto fiscal para vigiar a passagem de pessoas e mercadorias pela Estrada Real.

Em pleno século XX ainda existia garimpo na região.  Garimpeiros com dragas e bombas, desviaram cursos de rios e revirando cascalhos causaram vários danos ecológicos na região. Atualmente, a mineração na região é proibida.

O povoado de Milho Verde foi descoberto para o turismo na década de 80 e atualmente os moradores do lugarejo praticamente vivem do turismo, com o desafio de explorar o potencial turístico ao mesmo tempo preservar as belezas naturais e históricas do lugar.

Trecho asfaltado da Estrada Real entre Milho Verde e Serro

Após darmos uma volta por Milho Verde  e visitar o antigo chafariz, almoçamos em um restaurante simples e rumamos para a cidade histórica de Serro pela Estrada Real, já asfaltada neste trecho. A paisagem muda um pouco neste trecho, primeiramente porque o asfalto tira o charme da estrada e segundo porque a flora fica mais verde e mais densa com trechos de  mata bem fechada.

Vista Capela de Santa Rita em Serro

Serro

Ao chegarmos de Milho Verde entramos pela parte alta da cidade do Serro e antes de descermos as ladeiras paramos na Capela de Santa Rita, que é o cartão postal da cidade. A capela fica na parte alta da cidade tendo uma enoooorme escada que dá na parte baixa junto ao centrinho da cidade. Tiramos fotos na parte de cima ao lado da Capela e fomos de carro para a parte baixa da cidade onde tiramos mais fotos da Capela no topo do morro e do conservado casario colonial da cidade.

Capela SaCapela Santa Rita, cartão postal de Serro

A pequena cidade de Serro tem hoje cerca de 21 mil habitantes, é cercada por serras, rios e cachoeiras, sendo uma excelente dica para quem gosta  de cidades históricas e ecoturismo. As origens da cidade são do início do século XVIII em um arraial que centralizava a exploração de ouro na região.

Casario de Serro

O primeiro nome foi   Arraial do Ribeirão das Minas de Santo Antônio do Bom Retiro do Serro do Frio. Em 1714 o povoado recebeu oficialmente o nome de “Vila do Príncipe” pelo governador da capitania de Minas Gerais. Em  1720 passou a sede da comarca do Serro do Frio  que abrangia todo o norte-nordeste da capitania. Em 1838, a vila foi elevada à categoria de cidade, com o atual nome de Serro.

Casario da cidade de Serro

As minas de ouro e diamantes foram exploradas exaustivamente durante quase cem anos. No início do século XIX, com a decadência da mineração, a pecuária e a agricultura de subsistência se desenvolveram de forma precária. No final do século XIX, o Serro não conseguiu se integrar com a malha ferroviária e se isolou ainda mais, dificultando o seu desenvolvimento.

O isolamento de certa forma ajudou a conservação do patrimônio histórico da cidade que, em 1938, teve o seu acervo histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Após visitarmos as igrejas e o casario, antes de  retornamos para Diamantina, paramos para um café mineiro com bolo de fubá!  Nossa viagem de volta foi por um belo caminho alternativo, com 86 km de asfalto, passando pela cidade histórica de Datas.

 


Texto: José Maria e Imaculada


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2 Responses to Estrada Real: Diamantina até Serro

  • Gostaria de saber se dá para fazer este trecho da Estrada Real em carro comum (Gol).

    • Na época que fizemos a viagem (maio/2013) a estrada no trecho de Diamantina a Serro estava boa sem dificuldades para o tráfego de carros comuns (2×4 e altura normal do solo!).

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