Monthly Archives: Setembro 2009

Normose: É normal ser normal?

O ser humano está sofrendo de “normose”, a doença de ser normal

Todo mundo quer se encaixar num padrão.
Só que o padrão propagado não é exatamente fácil
de alcançar. O sujeito “normal” é magro, alegre,
belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente,
está de bem com a vida, não pode parecer de forma
alguma que está passando por algum problema. Quem
não se “normaliza”, quem não se encaixa nesses
padrões, acaba adoecendo.

A angústia de não ser o que os outros esperam de
nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico
e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós?
Quem são esses ditadores de comportamento a quem
estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?
Eles não existem.

Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo
que você seja assim ou assado. Quem nos exige é
uma coletividade abstrata que ganha “presença”
através de modelos de comportamento amplamente
divulgados. Só que não existe lei que obrigue
você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá
quem for todos. Melhor se preocupar em ser você
mesmo.

A normose não é brincadeira.
Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia
de querer o que não se precisa. Você precisa de
quantos pares de sapato? Comparecer em quantas
festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão
chegar? Frequentar terapeuta para bater papo?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender
a se desapegar de exigências fictícias.
Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas
que você mais admira: não são as que seguem todas
as regras bovinamente, e sim, aquelas que
desenvolveram personalidade própria e arcaram com
os riscos de viver uma vida a seu modo.
Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula,
não patentearam, não passaram adiante. O normal de
cada um tem que ser original.

Não adianta querer tomar para si as ilusões e
desejos dos outros. É fraude. E uma vida
fraudulenta faz sofrer demais.

Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam
para remover obstáculos mentais e emocionais, e a
viver de forma mais íntegra, simples e sincera.
Para mim são os verdadeiros normais, porque não
conseguem colocar máscaras ou simular situações.
Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se
estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.

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Entrevista do Professor Hermógenes, 86 anos, sobre
o ser humano estar sofrendo de normose, a doença de ser normal.

Os doze conselhos para se ter um infarto!

Como este assunto tem a ver com o objetivo deste blog, resolvi reproduzir abaixo texto que recebi  por email:

  1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.
  2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.
  3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.
  4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.
  5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.
  6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.
  7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.
  8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro. 
  9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.
  10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar ‘tinindo’.
  11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.
  12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis. Repita para si: “Eu não perco tempo com bobagens” ( … e tenha um feliz infarto!!!!)

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Dr. Ernesto Artur – Cardiologista

A Marcha dos Pinguins

marchadospinguinsGosto de escrever sobre filmes para pessoas que já viram o filme! Portanto, esta resenha, se podemos chamar assim, é para aqueles que já assistiram a este maravilhoso filme.

O filme mostra de forma dramatizada, mas expontânea do ponto de vista dos Pinguins, a brava jornada anual dos Pinguins na busca da perpetuação da espécie, abordando  aspectos tais como:  missão, definição de objetivos e metas, espírito de equipe, persistência,  solidariedade, visão compartilhada e  convivência com ameaças e riscos.

O filme do biólogo e documentarista francês Luc Jacquet, dramatiza as atividades dos Pinguins Imperadores em seu ciclo reprodutor durante o inverno da Antártica e acompanha a marcha destas aves nos períodos que antecedem e suscedem o inverno.

O documentário mostra, do ponto de vista de um casal de Pinguins (e posteriormente também de seu filhote), a luta pela sobrevivência da espécie, a união do grupo, os sacrifícios de acasalar e reproduzir em temperaturas tão baixas, a falta de comida e alternativas para contornar a fome e os perigos que levam alguns à morte.

Uma vez acasalados, após uma longa marcha no gelo de mais de 100 quilômetros, os machos tomam conta dos ovos enquanto as fêmeas partem numa longa marcha em busca de alimento para os futuros filhotes.  Os ovos, e futuramente os filhotes,  necessitam de enormes cuidados e proteção do frio intenso e dos predadores.  Mostrando uma enorme noção de equipe, os Pinguins se aglutinam em uma enorme roda de pingüins que se revezam, um esquentando o outro, protegendo os ovos e os filhotes do frio intenso de cerca de 40 graus negativos.

O filme  foi recorde de bilheteria na França,  foi  o segundo documentário mais visto nos Estados Unidos e  também ganhou o Oscar de melhor documentário em 2006.  O maior mérito do filme em relação a outros documentários sobre o mesmo tema, é a abordagem da saga dos Pinguins para a perpetuação da espécie.  Normalmente os documentários sobre a vida animal ficam no binômio simplista presa-predador.

Analisando mais profundamente o filme, fica para nós seres humanos “inteligentes”, profundas  lições de missão, objetivos, vida em equipe, valores,  abnegação, persistência e sacrifícios para o bem da coletividade, tudo isso vindo de simples animais tidos como irracionais, os Pinguins Imperadores do polo sul.

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Texto: José Maria